Will & Ariel Durant História da Civilização
Os personagens do drama destacam-se entre os mais famosos da história da Inglaterra. No topo estava Jorge III, que ocupava o trono nos anos fatídicos (1760-1820) nos quais a Inglaterra enfrentou as revoluções americana e francesa e as Guerras Napoleônicas.
Jorge III, Rainha Carlota e seus Seis Filhos Mais Velhos, por Johann Zoffany em 1770 na Royal Collection. Esquerda para direita: Guilherme, Jorge, Frederico, Eduardo, Jorge III, Carlota e Augusta Sofia com a rainha Carlota.
Jorge III foi o primeiro monarca hanoveriano nascido na Inglaterra a considerar-se Inglês e a manter interesse absorvente nos negócios ingleses. Era neto de Jorge II e filho do insubordinado Frederico Luís, Príncipe de Gales, que morreu em 1751. O futuro Jorge III tinha então doze anos. Sua mãe, Princesa Augusta de Saxe-Gotha, assustada com “os jovens nobres mal-educados e depravados” que havia encontrado, tinha-o afastado de tais companhias, criando-o – entre nove filhos – num isolamento ascético dos jogos, alegrias, agitação e pensamento de seus pares e de seu tempo. Ele cresceu tímido, apático, piedoso, sem instrução e infeliz. “Se eu algum dia tiver um filho” disse ele à severa mãe, “não o tornarei tão infeliz como você me tornou”. Ela transmitiu-lhe o escárnio de seu avô por ter tolerado a supremacia do Parlamento. Por várias vezes pedia-lhe, “Jorge, seja um rei!” – reavindo a liderança ativa do governo. A tradição sempre questionada, credita ao jovem ter sido influenciado pela Idea of Patriot King de Bolingbroke (1749), que exortava os governantes a “governar assim como reinar” e (enquanto “deixava o Parlamento reter os poderes que possuía”) instituir medidas tendo em vista iniciar medidas para melhorar a vida na Inglaterra. Um dos professores de Jorge, Lorde Waldegrave, descreveu-o em 1758 como “absolutamente honesto, carecendo, contudo, daquele comportamento franco e aberto que torna a honestidade agradável... Não lhe falta resolução, porém, misturada com uma demasiada obstinação... Seu temperamento demonstra aspectos melancólicos, os quais (...) serão fontes de frequentes angústias.” Estas qualidades acompanharam-no até o fim de sua sanidade.
Lady Sarah Lennox (14 de Fevereiro de 1745 - 26 de Agosto de 1826) foi a mais conhecida das irmãs Lennox, filhas de Charles Lennox, 2.º Duque de Richmond. Após a morte de ambos os seus pais quando tinha apenas cinco anos de idade, Lady Sarah foi educada pela sua irmã mais velha, Emily FitzGerald, duquesa de Leinster, na Irlanda. Lady Sarah regressou a Londres quando tinha treze anos, passando a viver com outra das suas irmãs, Caroline Fox, baronesa Holland. Sendo uma favorita do rei Jorge II desde criança, Sarah era convidada frequente na corte e foi lá que chamou a atenção do príncipe Jorge de Gales, futuro rei Jorge III, que tinha conhecido ainda criança.
Seu reinado foi o mais calamitoso da história da Inglaterra, e para isso ele contribuiu. No entanto, era indiscutivelmente cristão e geralmente um cavalheiro. Aceitou a teologia da Igreja Anglicana, observando seus rituais sem qualquer ostentação, e repreendeu um pregador da corte que elogiou-o durante um sermão. Imitava seus inimigos políticos ao adotar o suborno, aprimorando-lhes os ensinamentos. Contudo, era um exemplo de virtudes na vida particular. Em uma geração que se salientava pela licenciosidade sexual, deu à Inglaterra o exemplo de fidelidade conjugal, que simplesmente contrastava com os adultérios de seus predecessores e as irregularidades de seus irmãos e filhos. Era a própria delicadeza em tudo, exceto na religião e na política. Embora pródigo nas dádivas, era homem de hábitos e gostos simples. Proibiu o jogo na sua corte. Trabalhava resolutamente no governo, atendendo aos mais simples detalhes, enviando instruções a seus auxiliares e ministros umas doze vezes ao dia. Seu puritanismo não era severo. Amava o teatro, música e danças. Não lhe faltava coragem, pois combateu tenazmente seus inimigos políticos no decurso de meio século. Em 1780, enfrentou corajosamente uma turba violenta, conservando domínio de si nos dois atentados contra sua vida. Reconhecia francamente seus defeitos de educação. Manteve-se até o fim relativamente alheio à literatura, ciência e filosofia. Se demonstrava pequena deficiência mental, talvez tenha sido devido a algo nos seus genes ou alguma negligência dos professores, assim como as mil tensões que cercam um rei.
Um dos defeitos de Jorge era a desconfiança e inveja de toda habilidade e independência. Jamais pôde perdoar a William Pitt I sua consciente superioridade nos aspectos políticos, compreensão, profundidade de pensamento, força e eloquência oratória, qualidades marcantes na carreira desse homem extraordinário, a partir de seu ingresso no Parlamento (1735) até seu triunfo na Guerra dos Sete Anos.
A Guerra dos Sete Anos foi uma série de conflitos internacionais que ocorreram entre 1756 e 1763, durante o reinado de Luís XV, entre a França, a Monarquia de Habsburgo e seus aliados (Saxônia, Império Russo, Império Sueco e Espanha), de um lado, e a Inglaterra, Portugal, o Reino da Prússia e Reino de Hanôver, de outro. Vários fatores desencadearam a guerra: a preocupação das potências europeias com o crescente prestígio e poderio de Frederico II, o Grande, Rei da Prússia; as disputas entre a Monarquia de Habsburgo e o Reino da Prússia pela posse da Silésia, província oriental alemã, que passara ao domínio prussiano em 1742 durante a Guerra de Sucessão Austríaca; e a disputa entre a Grã-Bretanha e a França pelo controle comercial e marítimo das colônias das Índias e da América do Norte. Também foi motivada pela disputa por territórios situados na África, Ásia e América do Norte.
A fase norte-americana foi denominada Guerra Franco-Indígena (ou Guerra Francesa e Indígena), e participaram a Inglaterra e suas colônias norte-americanas contra a França e seus aliados algonquinos. A fase asiática iniciou o domínio britânico nas Índias.
Foi o primeiro conflito a ter carácter mundial, e o seu resultado é muitas vezes apontado como o ponto fulcral que deu origem à inauguração da era moderna. A Guerra foi precedida por uma reformulação do sistema de alianças entre as principais potências europeias, a chamada Revolução Diplomática de 1756, e caracterizou-se pelas sucessivas derrotas francesas na Alemanha (Rossbach), no Canadá (queda de Québec e Montreal) e na Índia. O conflito terminou com a vitória da Inglaterra e seus aliados.
Will & Ariel Durant, História da Civilização, Vol. 10, A Era de Rousseau
Will & Ariel Durant, História da Civilização, Vol. 10, A Era de Rousseau
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